A HISTÓRIA DESENHADA DO QUILOMBO DE BAÍA FORMOSA

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Cartografia Social participativa implementa processo de regularização das terras quilombolas

No processo de regularização das terras quilombolas torna-se imprescindível os esforços da comunidade para realizar a retomada de suas terras. É nesse sentido que a comunidade busca apoio e fortalecimento em vínculos com entidades públicas e privadas a fim de suprir as demandas que surgem ao longo da trajetória. Surge assim uma articulação entre a comunidade e professores da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) que compareceram à comunidade de Baía Formosa no dia 16 de junho de 2019 para dar início a um projeto de cartografia social participativa que subsidiará as tomadas de decisão frente ao processo de regularização das terras quilombolas.

A cartografia social participativa permite a análise territorial e cultural na comunidade através de uma melhor visualização do território em um mapa que abrange desde o espaço físico, espaços simbólicos para a comunidade e patrimônio de natureza diversa. A cartografia nesse modelo ela é feita do sujeito para o sujeito e passa ser um instrumento de resgate e reforço de identidade cultural e serve também como base para organização junto ao poder publico.

Processo de elaboração da cartografia social participativa no Quilombo de Baía Formosa

Ao chegar na sede do quilombo de Baía Formosa os professores se juntaram à comunidade e contaram a história da Fazenda Campos Novos para que todos se situassem através dos fatos históricos. Em seguida, foram ouvidos e anotados relatos de cada um da comunidade, relembrando espaços e situações que caracterizam a cultura local. As famílias relembraram sua origem e história dentro do município de Armação dos Búzios.

Mudanças significativas moldam o atual cenário do município assim como faz surgir uma nova realidade na comunidade quilombola de Baía Formosa. A pavimentação das estradas, a especulação imobiliária e o aumento no fluxo do turismo são alguns dos fatores que mais contribuíram para as mudanças da comunidade. Atualmente, os membros da comunidade se dividem em três núcleos: Núcleo Zebina e Núcleo Manoel e Cesarina, são famílias que se encontram dentro dos limites do Parque Estadual Costa do Sol e sob a Área de Proteção Ambiental (APA) Pau-Brasil; Núcleo das Famílias expulsas, assim denominado pelas famílias que foram expulsas de Baía Formosa e hoje lutam para retornar a seu local de origem; e núcleo Local que se refere a algumas famílias que permaneceram em Baía Formosa.

Uma ferramenta que fortalece o território

Mapa realizado com a contribuição da comunidade que relembra sua história

 

A cartografia social participativa aparece nesse momento como uma ferramenta capaz de representar em um mapa de fácil visualização a comunidade e sua memória com fatos significativos como as histórias dos mais antigos, lugares de lazer e crenças populares que fazem parte da formação da identidade quilombola e seu reconhecimento pelo poder público e demais órgãos competentes. O tempo previsto para finalização desse projeto é estimado em seis meses a um ano de acordo com os responsáveis.

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RECONSTRUINDO A IDENTIDADE QUILOMBOLA

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Quilombo mostra para a comunidades ações realizadas em 2017

O encontro final promovido pelo Observação Búzios teve como participação a unidade de Arraial do Cabo. Em ação realizada na sede do quilombo de Baía Formosa, apresentamos as ações realizado no ano de 2017 e exibimos o curta documental ‘Reconstruindo a Identidade Quilombola’, resultado do monitoramento dos impactos da cadeia produtiva do petróleo e gás. No curta , apresentamos as ações realizadas neste período a eleição da diretoria do quilombo, a oficina de bioconstrução, a ocupação do conselho do meio ambiente no município de Armação dos Búzios, A garantia de políticas públicas em evento do movimento quilombola do estado. Foi apresentado uma retrospectiva das ações realizadas no ano de 2017, como a apresentação de Teatro do Oprimido (TO), em Zebina.

 

O que é ser quilombola – Cultura e religião

No núcleo Zebina, realizamos a pré-devolutiva com o Teatro do Oprimido com uma temática para o povo entender melhor o que é cultura, ser quilombola e a religião, pois estava trazendo conflito para a comunidade, ambas andam juntas mais não se mistura cada uma tem o seu lugar, A peça apresentada, “Dia de chuva”, depois de muitas pesquisas, vem para dar um fortalecimento a cultura quilombola. Quando falamos da cultura quilombola, falamos de danças, capoeira, artesanatos, comidas típicas, cultivo de ervas medicinais, modo de vida. Com o passar do tempo estes costumes foram se perdendo com entendimentos confusos por falta de conhecimento, membros da comunidade ultimamente sentiram dificuldade de reunir o seu povo por várias diferenças de entre religião e cultura. Assim os próprios membros da comunidade, sentiram a necessidade de apresentar uma cena construído através das técnicas do Teatro do Oprimido (TO) para que todos pudessem se ver, quando a comunidade começou a entender o que significa tudo isso cada um em seus lugares ,ele começaram aceitar melhor sua identidade com os temas abordados ali e as ações realizadas neste período trouxe um convívio diário dos comunitários ali no trabalho coletivo fazendo com que povo se fortalece na reconstrução das atividades como era no tempo passado um ajudado o outro.

 

Ações de fortalecimentos

O intercâmbio que houve entre Observação Búzios e Observação Arraial do Cabo na devolutiva aconteceu pela primeira vez, porém foi muito produtivo a participação deles os pescadores e fizemos uma grande oportunidade, e descobrimos várias coisas que conectavam os dois peas. Eles meteram a mão na massa e, além de colaborar na cozinha, trocaram experiências maravilhosa com a nossa comunidade através de debates.

Hoje, o quilombo está no Conselho de Meio Ambiente e Pesca do município ocupando uma cadeira, que foi uma busca para ter um representante do quilombo neste conselho, e poder ter representatividade no município levar os nossos assuntos e projetos, pois é umas políticas públicas para a comunidade.

A Mesa Quilombola, realizada em junho, recebemos a informação do INCRA de que a comunidade de Baía Formosa está na prioridade dos trâmites do processo para regularização e titulação das terras quilombolas. Pois, estamos sendo impactados pelo setor imobiliário, mas ainda estamos resistindo temos que lutar pelo nosso espaço e a manutenção da nossa identidade, pois se não lutarmos perdemos o nosso espaço e ficamos sem sentido. E neste período do ano foram realizadas várias ações trazendo informação para a comunidade, no fortalecimento E ajuntamento dos comunitários, o Documento de Aptidão ao Pronaf (DAP), documento de inserção às políticas públicas para as comunidades quilombolas. A delegada federal do MDA, Danielle Barros, diz que este documento identifica os agricultores familiares e ajuda a conseguir o selo quilombola, para poder receber apoio para escoar suas mercadorias. Ao final, foi firmado um acordo com os comunitários, essa é uma forma de fazer com que os jovens não saem da sua comunidade e os que saíram volta de novo ao campo mais agora com apoio das políticas públicas.


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